Mais um dia, mais um pedaço de rotina. A vontade de quebrar esse ciclo é incessante contudo os actos não o reflectem.
Nem sempre uma revolução da vida depende só de nós, tudo importa. Nem que seja a segurança que advém dessa mesma rotina e aprisiona a vontade de deixar tudo e partir.
"Fazer uma obra e reconhecê-la má depois de feita é uma das tragédias da alma. Sobretudo é grande quando se reconhece que essa obra é a melhor que se podia fazer. Mas ao ir escrever uma obra, saber de antemão que ela tem de ser imperfeita e falhada; ao está-la escrevendo estar vendo que ela é imperfeita e falhada, - isto é o máximo da tortura e da humilhação do espírito. Não só os versos que escrevo sinto que me não satisfazem, mas sei que os versos que estou para escrever me não satisfarão, também. Sei-o tanto filosoficamente, como carnalmente, por uma entrevisão obscura e gladiolada.
Por que escrevo então? Porque, pregador que sou da renúncia, não aprendi ainda a executá-la plenamente. Não aprendi a abdicar da tendência para o verso e a prosa. E o maior castigo é o de saber que o que escrevo resulta inteiramente fútil, falhado e incerto." Fernando Pessoa

Não escrevo há muito tempo. Talvez porque a escrita só faz sentido quando há sentimentos a expelir, incertezas a borbulhar dentro de mim e a insegurança é tamanha que apenas a junção perfeita das palavras ajuda a apaziguar tal sensação. Definitivamente esta descrição não faz parte da minha vida actual. Não sou totalmente feliz, mas também ninguém o é totalmente. Tenho as minhas alegrias, paixões, desvarios. Como bela incerta que sou, continuo a ter a certeza das minhas incertezas contudo de uma forma bem mais calma, madura até.
Já não me escondo por detrás das linhas que escrevia, a dada altura incessantemente. Agora prefiro refugiar-me nos meus pilares da vida, as pessoas sem os quais já não sei viver. As incertezas vão existir sempre só penso que perdi a capacidade de as expressar pelo meio da escrita.
É pena. No fundo a escrita intensiva seria algo que gostava imenso de explorar mas falta-me a inspiração. Até numa sessão de escrita criativa já participei numa tentativa de despertar o bichinho outrora bem presente em mim. Já tentei a via da leitura compulsiva para aguçar o jogo de manusear as palavras porém tem sido também infrutífero. Leio efusiva e incessantemente mas tal acto não tem despoletado aquilo que verdadeiramente gostaria de explorar.
Talvez um dia os tempo aureos de blogger voltem e com eles o prazer que a actividade da escrita me provocava...
Como é que sei se o "para sempre" é mesmo para sempre? Será que se algo começar a quebrar vou ter capacidade para me aperceber disso atempadamente, de modo a evitá-lo? Será que o que está destinado a terminar pode ser contrariado?
Tantos ses, suposições, divagações. Não quero tê-las- Quero expulsar de mim cada dúvida e incerteza. Quero esquecer o suposto futuro e tecer as linhas do presente. Ainda que a vontade seja muita o essencial do meu ser não me permite agir assim.
Sou demasiado ponderada e medito incessantemente perante tais pensamentos inquietantes. A minha incapacidade de abstracção é tal que cada acção executada é acompanhada por um alarme constante.
Não sou assim. Adorava viver simplesmente sem me atormentar e sem analisar cada elemento do dia a dia. Em vez disso, o "será que aconteceu por isto", "o que eu fiz?", "será que algo está a mudar sem que eu perceba?" assolam-me. Basta um pequeno desvio da rotina para várias inquietações me martirizarem.
Detesto a insegurança. Porém, sei que neste momento faz parte de mim… Tendo afastá-la, faço tudo para tal. E só espero que seja capaz de o fazer em vez de desperdiçar momento presentes cruciais.

Todos crescemos com certos objectivos predefinidos, ora pelos nossos pais, pela sociedade em si ou meramente pela educação que temos. Esquecemo-nos é que nem tudo corre como o planeado, como estaria escrito como o mais correcto.
Não é preciso ser-se um adulto feito para que muitas das fases tidas como certas numa vida repleta de êxitos não sejam alcançadas. Rapidamente há a necessidade de se enfrentar obstáculos, ideologias que afinal não passam disso mesmo.
É nessa altura que o confronto ocorre, surgem os porquês…as dúvidas e incertezas de não termos conseguido realizar o que seria suposto por falha própria ou porque simplesmente o mundo é assim. Para mim, esta fase é aquela que maior confronto nos traz, por constituir uma altura em que a realidade esbofeteia-nos e abrimos os olhos para aquilo que é viver.
Infelizmente nem tudo é um mar de rosas, nem sempre aquilo com que sonhámos se realiza. Por vezes o percurso ideal não é alcançável. Todavia, no meu entender é essencial passar por esta fase. Bater com a cara no chão, limpar as feridas, reflectir sobre o que na realidade poderá ser mesmo alcançável. E depois de tentar mais uma vez perceber que não somos nós que moldamos a vida mas ela que nos molda a nós.
Toda a lágrima tem uma razão, toda a queda tem um caminho alternativo. Não é fácil fazer as melhores escolhas mas eu acredito que é possível faze-lo. Estou a aprender a modelar-me a esta vida que não faz parte dos contos de fadas ouvidos em criança. Não é fácil mas necessário.
Não é hábito meu utilizar este espaço para outros fins senão esvaziar a alma mas desta vez uma amiga precisa de uma ajudinha e cá estou eu para isso.
Pedia a todas as mulheres que perdem o seu precioso tempo a ler os meus devaneios para responderem a um pequeno e muito curto questionário. É algo fácil e que não vos rouba mais do que um minuto.
Este é o link
Nós agradecemos, é de extrema importância a obtenção do maior número de respostas.
E se quiserem divulgar agradecemos também.

Normalmente há sempre aquela tentação de se dizer “se pudesse voltar atrás para voltar a viver de novo aqueles momentos”.
Essa ânsia está sempre presente mas no fundo tenho consciência que se voltasse realmente atrás não voltaria a ser perfeito. A razão pela qual certos momentos são inesquecíveis e ficam marcados na nossa memória como perfeitos é mesmo essa. Foram vividos naquele instante, sem serem conhecidas as consequências de certas acções. O friozinho na barriga por não se saber se estamos a agir da forma mais correcta, se nos iremos arrepender das nossas acções e decisões. E no fim, se iremos sorrir e pensar que não podíamos ter agido de outra forma, que aquela foi a mais arriscada mas também a mais acertada.
Por circunstâncias da vida, algumas recordações estão agora a emergir e um desejo de voltar a passar por alguns episódios da minha vida, que sei que poucas pessoas têm a possibilidade de viver, renasce. Foi uma altura da minha vida revitalizante e inesperada, onde a ingenuidade de quem está a apenas a iniciar a vida adulta se misturou perfeitamente com a loucura de aproveitar cada instante da vida como se fosse único, pondo de lado a minha racionalidade habitual. Provavelmente foram os melhores momentos da minha vida e espero profundamente nunca me esquecer de cada pormenor, de cada passo, de cada pensamento, palavra ou sentimento. Isto, porque foi com base nesses momentos memoráveis que tenho o que construi até hoje.
Não, não quero voltar atrás. Em vez disso, quero reter as lembranças num recantos do meu ser e puder relembra-las sempre que me apetecer, com todos os pormenores como se fosse hoje. Afinal de contas pode ter sido algo inesquecível mas quem sabe se o que vivo hoje também fará parte dos momentos a reter para sempre no futuro…
Sinto-me cansada. O corpo já não consegue acompanhar o desejo de fazer, o tempo é demasiado pequeno para que consiga descansar e actuar. A peça de teatro em que a minha vida é representada encontra-se anémica e desfalecida.
Pesa-me cada passo que dou. Cada actuação equivale à necessidade de descansar o dobro. Onde vou encontrar tempo para tudo? Não há. Neste momento ou opto por hibernar e cair numa vida mecânica ditada pelo dever ou obrigo o corpo a mexer para não perder nada de cada dia. Mesmo que opte pela segunda opção rapidamente entro num ponto de ruptura em que se não sou capaz de continuar mais e preciso de carregar no botão de pausa.
Esta situação deixa-me frustrada. Já foram várias as ocasiões em que deixei de aproveitar o meu escasso tempo livre porque a necessidade de repouso do meu corpo sobrepôs-se Confesso que isto me preocupa um pouco. Será normal ou algo de errado se passa comigo?
Tenho saudades de demasiadas coisas. Sinto uma saudade incessante de me sentir feliz. Não falo de felicidade de sucesso, essa eu tenho. Refiro-me a uma felicidade em género de alegria e adrenalina. Aquele sentimento quando estamos no auge de um concerto da banda que veneramos ou numa naquelas noite onde não paramos de dançar e de sentir a musica e sentimo-nos mesmo bem. Sinto falta desse sentimento, talvez o tenha designado erroneamente de felicidade mas para mim todas essas sensações também proporcionam felicidade.
Não sei identificar o que mudou mas já não tenho em mim aquele ingenuidade de viver a vida e aproveitar ao máximo. Mesmo que faça tudo aquilo que me deixava maravilhada já não é a mesma coisa. Já não me sinto dona do mundo. Aquele sentimento de ter toda a minha vida pela frente e de que teria todas as possibilidade de atingir todos os meus objectivos e sonhos parece que foi atenuado.
Agora vivo mas com menor intensidade e impulsividade. Vejo-me mais ponderada e tenho pena que em parte tenha perdido a meninez de há uns (poucos) anos e tenha entrado no mundo real onde nem tudo é possível, e aquilo que é dá muito trabalho a conseguir.
Gostava de acordar um dia e tê-lo só para mim. Apreciar cada passo que desse nesse dia. Desde o acordar com um sol deslumbrante a aproveitar cada segundo. Gostava de pegar num livro e absorver cada palavra como se fosse parte constituinte de cada capítulo. Pegar nas pessoas mais importantes e partir por esse mundo fora (nem que por um dia). Almoçar em qualquer parte do mundo e deter aquele sentimento de que o futuro será maravilhoso.
É complicado. A vida não é um mar de rosas. Tenho a idade ideal para aproveitá-la mas outros feitos importantes de responsabilidade se sobrepõem e tenho de deixar de parte esta veia sonhadora e ideológica e limitar-me a aproveitar a minha vida de uma forma adulta...