Terça-feira, 9 de Junho de 2009

A efemeridade da vida

Não tem dado muito bom resultado pensar na minha vida. Ponho-me a pensar em tudo, num instante faço uma viagem alucinante pelos meus últimos três anos. Tenho saudades de algumas coisas (e pessoas) que perdi, sinto falta dos meus rituais quotidianos que me faziam sentir viva e capaz de aproveitar a vida. Questiono-me acerca da vivacidade que se transformou em algo mais calmo, não tão impulsivo. Assisto à possibilidade de mudanças repentinas, que procuro continuamente mas, que me trazem medo como acréscimo. Medo daquilo que não conheço, daquilo que poderá ser, das consequências das minhas decisões, tomadas por vezes no próprio instante. Até que ponto me consigo identificar nesta corda bamba entre a tendência do comodismo e conformismo de uma vida regular e uma incessante vontade de procurar sempre algo novo, que me faça sentir que aprendi mais um pouco, que cresci mais um pouco.

 

Tenho certezas de algumas coisas. No entanto, é tudo tão vulnerável às transformações das minhas decisões que fico receosa. Espero e tento sempre que acha evolução mas quando chega à hora e me deparo com a mudança necessito de parar. Assusto-me. Receio.

 

Recordo o que fui, sinto-me grata por todas as recordações que guardo. Contudo também tenho momentos em que apenas gostava de presenciar aquilo que vivi, aquilo que senti. Ao longo do tempo, vou ganhando a consciência de que há coisas que só se vivem uma vez na vida...e mesmo que tenhamos a oportunidade de vivê-las mais uma vez, passar pela experiência de novo...nada é igual. Os sentimentos mudam, as pessoas tornam-se diferentes e aqueles que julgámos eternos ontem hoje já não o são...

 

E é tudo isto que, por vezes, me paralisa e me faz tentar não parar e pensar na vida, de modo a não sucumbir às incertezas e apenas esperar que as opções tomadas sejam as mais correctas.

 

Estou...: incerta
Música: Staind - Everything Changes
Publicado por ascertezasdasincertezas às 22:39
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12 comentários:
De Viviane a 22 de Novembro de 2009 às 11:00
Tristeza infinita. Percebo a tua alma. Gostei do blog. Beijinhos
De sweetimagination a 4 de Setembro de 2009 às 01:51
Texto muito bom : ) .
Mas de facto, não podes parar , a vida sempre continua!
De suissinho a 12 de Agosto de 2009 às 13:03
http://asnossaspalavrasperdidas.blogs.sapo.pt/

Novo blog na blogsfera a pedir visita :P

Participa e divulga :)

beijo
De sofas a 22 de Março de 2011 às 16:14
Vou ver
De Armando Correia a 28 de Julho de 2009 às 18:13
Sabes, não podes parar, apenas podes parar por momentos para pensar, porque o mundo continua a girar a uma velocidade vertiginosa e se parares perdes o comboio da vida.
De Nat_e_Rob_K. a 22 de Julho de 2009 às 21:27
Olá
Axei o teu blog bem interessante, a maneira como tu escreves é bem profunda e faz-nos refletir.
Dá uma passadinha no meu blog (não é só meu mas prontes xD)
canseideusarowc.blogs.sapo.pt

ainda estamos a começar por isso ta vazio

Rob!
De sentimentosdeumavida a 18 de Julho de 2009 às 23:24
Belo texto ;) e digo mais, identifico-me bastante com ele :s
De Sofia a 8 de Julho de 2009 às 05:09
Peço desculpa pela invasão, mas estive a ler alguns posts (tenciono ler mais :)), e simplesmente a maneira como escreve(s) é incrível... Acho que expõe tudo de uma maneira tão ... pura. Bem nem sei, apenas adorei.

Continuação de uma boa escrita, *
De Armando Correia a 28 de Junho de 2009 às 16:07
Foi com bastante atenção que li o teu texto, até porque em várias situações o senti também e sinto, concordo contigo, aquilo que vivemos de especial jamais se repetirá da mesma forma, e talvez por esse motivo, por vezes se apodere de nós a nostalgia.
Gostei bastante da reflexão.
De entremares a 27 de Junho de 2009 às 12:18
Cheia de preguiça, esticou os braços.
De olhos fechados, mal sentia o corpo, ainda trôpega de sono.
Apetecia-lhe voltar a mergulhar nas águas transparentes do recife, abandonar-se ao sol sobre as areias brancas, voltar a adormecer à sombra dos coqueiros.
Um torpôr agradável assaltou-lhe o corpo e ela permaneceu imóvel, de olhos fechados, em êxtase.
Podia ouvir o mar.
Ondas mansas desfaziam-se em espuma na areia. A praia, vazia, era só uma imensa extensão branca e verde, pejada aqui e ali de rochas solitárias, ainda a escorrer água da maré alta.
Mesmo de olhos fechados, era fácil imaginar o azul forte do céu, as velas brancas dos veleiros sulcando as águas, as cabanas de madeira pendendo sobre a lagoa cor de esmeralda.
E o silêncio... ah, o silêncio...
Aquela ausência aboluta de tempo, de horários, de ruídos de fundo, de jornais, de televisão...até a ausência de sapatos... só a música de fundo do bater das ondas na praia, o abanar da copa dos coqueiros e das palmeiras.
Deixou-se ficar imóvel, quase ausente do corpo, imersa em sensações de paz, de uma profunda paz que lhe tomava de assalto o espírito, como se até os próprios pensamentos surgissem agora em câmara lenta, a um ritmo quase tão lento como o próprio respirar...
Pelo menos uma vez na vida, todos deveriam poder experimentar aquela sensação de paz quase absoluta, retemperadora de forças.
O paraíso, a existir, deveria ser algo de muito semelhante...

Sentiu que a abanavam, com extremo cuidado.
Abriu os olhos.

- Mãe... – tenho fome... vem fazer-me os cereais...
- Hum... o quê?
- Tenho fome... vem dar-me de lanchar...
Esfregou os olhos, ainda estremunhada. Pela janela, conseguia distinguir perfeitamente o céu cinzento e aquelas gotas irritantes, cinzentas, de uma chuva que, apesar de maio, teimava em persistir, estragando o que prometia ter sido um óptimo fim-de-semana.
- Onde está o pai ?
- Está agarrado ao computador... tenho fome...

Virou-se para o lado no sofá.
- Vai dizer ao pai para te dar de lanchar... eu ainda vou à praia dar mais um mergulho...
- Um mergulho ? Mãe ?

Ela já deixara de o ouvir.
De olhos fechados, ouvia novamente o mar a chamá-la.
O mar, o sol, e uma praia de areia branca...

( Bom fim de semana )
De Caixinha dos pensamentos a 20 de Junho de 2009 às 12:08
Tenho lido o seu blog e devo confessar que em parte me identifico com aquilo que escreve. Talvez por termos a mesma identidade (não sei) ou por termos passado por vivencias semelhentes, enfim...não sei.

Só sei que nos últimos tempos me tenho sentido diferente das outras pessoas e que em parte sou incompreendida por muitas delas...vir ler o seu blog faz-me sentir que afinal não sou nenhum ser estranho e que tal como eu também existem outras pessoas a passar pelo mesmo e a sentir o mesmo.

Continue a escrever! :)

Beijinhos

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